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Fases do aprendizado

Fases do aprendizado

O que nos motiva a aprender? Por que a sabedoria nos traz o desconforto? O que acontece desde a ignorância até a sabedoria?

APRENDIZADO – Com uma frequência maior do que gostaria, eu me encontro em situações em que a falta de um conhecimento específico me leva a um questionamento: Se eu não sabia isso, porque não aprendi antes para evitar esse momento?

Estes casos podem ser desde pequenos desconhecimentos básicos até alguma ignorância de alto nível intelectual.

Certa vez eu comprei um carro que tinha o estepe armazenado embaixo do porta-malas. Até comprar esse carro, em todos os anteriores, o estepe ficava dentro do carro, no porta-malas e para retirá-lo bastava retirar uma única porca.

O que isso tem a ver com assunto em questão ? Você deve estar perguntando. Então vamos continuar.

Numa manhã chuvosa, o pneu do carro furou e, de alguma forma mística, minha preocupação com o tempo perdido, aquela chuva caindo e minha roupa elegante bloquearam de tal maneira meu raciocínio que eu não conseguia tirar o estepe com a facilidade que imaginei ser possível.

Várias vezes blasfemei naquele momento, lamentando não ter lido o manual antes, não ter aprendido antes, numa espécie de treinamento simulado.

Certamente eu poderia relacionar vários casos como este. Tenho certeza de que todos passamos por situações como esta, muitas das vezes não percebemos, mas com certeza elas enriqueceram nosso aprendizado no passado.

Para estruturar estes fatos de forma mais acadêmica, eu diria que o ciclo do aprendizado pode ser segmentado em cinco principais fases.

A primeira fase eu chamo de Ignorância Confortável. Pode parecer um tanto incoerente, mas o fundamento desta fase é que não temos noção de nosso desconhecimento e portanto, o mesmo não nos incomoda.

Eu não sei que não sei e por não saber que não sei, não estou preocupado por não saber.

Voltando ao caso, eu não sabia que não sabia tirar o estepe. Se eu soubesse que não sabia eu teria procurado aprender, mas por não saber que não sabia, eu não estava preocupado por não saber. Tão “simples” quanto isso.

Uma criança recém-nascida ouve os adultos que a cercam emitir sons pela boca sem ter a mínima idéia do valor que isso possa ter. Tão logo consegue emitir os primeiros sons, a criança se deslumbra com essa novidade e passa a maior parte do tempo em que está acordada emitindo sons, pelo simples prazer que esta novidade traz.

Nesta fase a criança ainda usa reações instintivas para se comunicar. Por mais que consiga emitir sons, ela sabe que para chamar atenção e se comunicar nada melhor que o bom e efetivo choro.

Isso funciona muito bem para todas as crianças nesta fase, até que ela começa a perceber que aquele som que os adultos emitem tem um significado. Elas percebem que aquele som está associado à alguma coisa ou alguma ação, por exemplo “Papai”, “Mamãe”, “Cocô”…e tantas outras.

Neste momento a criança percebe que para chamar aquele homem legal que brinca com ela precisa emitir um som específico ( algo como papá ), para chamar atenção daquela mulher bonita e atenciosa que alimenta e dá carinho tem outro som específico, assim como percebe que quando a mamãe fala “neném fez cocô” virá uma sensação boa de limpeza depois.

Esta é a segunda fase do ciclo, que eu chamo de Ignorância Incômoda. É nesta fase que percebemos que não sabemos algo e por saber que não sabemos começamos a nos preocupar com essa ignorância.

Eu sei que não sei e por saber que não sei, estou preocupado por não saber.

Esta fase é fundamental para o ciclo de aprendizado. É nela que tudo começa.

Lembra do exemplo do carro ? Pois naquele mesmo exemplo, se um dia eu tivesse escutado por acaso que tirar o estepe não era uma ação tão tradicional eu certamente me preocuparia em aprender antes de enfrentar o desconforto.

Infelizmente para mim, a fase dois aconteceu num dia de chuva, foi quando eu percebi que não sabia e por saber que não sabia me preocupei por não saber.

Eu disse que a fase dois é quando começa efetivamente o ciclo do aprendizado, porém é importante ressaltar que simplesmente saber que não sabe não ajuda. O não saber precisa gerar o incômodo, o desconforto.

Somente quando o não saber gera o desconforto, somente quando a ignorância é incômoda é que nos sentimos motivados a buscar o conhecimento.

É nesta hora que se inicia a terceira fase, que eu chamo de Busca de Conhecimento.

A Busca do Conhecimento acontece em camadas. Bela frase, mas sozinha não diz nada. Aprofundando mais nesse conceito, eu diria que inicialmente precisamos do conhecimento básico que irá nos tirar da situação incômoda, ou seja, precisamos sair da Ignorância Incômoda.

No meu exemplo do carro, tudo que eu precisava era tirar aquele pneu. Bastou aprender que na primeira troca seria necessário romper um lacre de segurança, que ficava escondido por determinação de algum projetista desalmado, e eu me dei por satisfeito, passei a me considerar um expert em troca de pneus.

Naquele momento eu defini que não precisava entender mais nada sobre troca de pneus.

Certamente para troca de pneus acho que não tem muito mais a ser aprendido, ou será que cai novamente na fase de Ignorância Confortável ? Só o tempo me dirá.

E nesse contexto que começa a fase da Acomodação. É a fase que você se encontra quando acha que já aprendeu tudo que precisava.

A maioria dos conhecimentos específicos são efêmeros, perecíveis, se você não se atualiza, em pouco tempo ele perde o valor.

Novas formas de armazenar o pneu vieram e virão, aliás acho que hoje mais nenhum carro guarda o pneu embaixo da mala. Isso mostra claramente que o meu conhecimento perdeu totalmente o valor.

De que adianta hoje o conhecimento que nossos antepassados tiveram sobre como utilizar o Ábaco ou a Régua de Cálculo ? O que será que aconteceu com as empresas especializadas em consertar TV Preto e Branco, Máquinas de Escrever ou Gravador de rolo ?

Bom, finalmente vem a fase que eu chamo de Sabedoria. É importante ressaltar que não tenho a pretensão de definir a Sabedoria. Assim como não defini a Ignorância nem tampouco a Acomodação.

Essa fase começa quando encontramos o prazer pelo aprendizado. Quando nos sentimos enriquecidos com qualquer pequeno conhecimento novo.

Na fase que chamo de Sabedoria, a busca pelo conhecimento passa a acontecer de forma pró-ativa pela simples curiosidade que qualquer situação nova traz consigo ou pelo simples prazer de aprender, pelo prazer de se atualizar.

Nesta fase, ao nos depararmos com alguma novidade temos o prazer em procurar o entendimento sobre a mesma. Nesta fase somos capazes de comprar um livro sobre um assunto específico, mesmo sem estar precisando solucionar alguma carência imediata, mas pelo prazer de saber um pouco mais sobre aquele assunto específico.

Isso comprova minha constatação de que eu não estava na fase de Sabedoria quando comprei um carro com um novo sistema de armazenamento de pneus. O manual esteve o tempo todo no porta luvas com a frase “Remova o Lacre Vermelho”, mas eu não tive nenhum prazer e ler o que estava escrito, mas que isso, não tive nem mesmo a curiosidade.

Finalmente, tentando associar à raiz da frase que usei no início, nesta fase eu sei até onde sei e por saber até onde sei, estou motivado em saber mais.

Fonte: Site “Administradores – O Portal da Administração”

Por | 2017-12-17T00:17:13+00:00 novembro 21st, 2017|Comportamento|Comentários desativados em Fases do aprendizado

Sobre o Autor:

Professor Ronaldo
Professor Ronaldo Veloso (Doutorgestão) ISO 9001, OHSAS 18001, SA 8000, ISO 26001, ISO 14001, IATF 16949, ISO IEC 20000-1, ISO 27001, ISO 37001, ISO 19600. Junto com você!!!!